AS COISAS EM FORMA DE MIM
Certos instantes em que olhava para as cores nas coisas, criava, inventava, retorcia e recriava palavras, que, sabia ele, não eram os pigmentos de nada que via. Contudo, mantinha-se numa peleja em colorir olhos alheios com palavras pelas quais enxergava as tais coisas, mas as palavras guardam tons volúveis, e por cada pessoa que passava, deixava-lhe ver como quisesse as cores faladas pelas palavras escritas por ele que via as cores que narrava.
Ele lia e ouvia outras palavras além das suas. E isto era como banhar-se com as próprias cores na piscina ou ducha alheia. E nestes instantes lhe surgiam imagens que não eram palavras, mas sim coisas das quais se fala, mas nestes instantes quem lhe vinha era a imagem e não a vontade de falar. Se ainda eram as coisas, não eram coisas de falar, mas de se ver. E a estas, ele fotografava e desenhava num esforço de dar vida àquilo que já existia por detrás das retinas, mas que, se viesse ao mundo moldado em verbos e adjetivos, seria tão sólido como o vento.
A imagem ainda não era coisa alguma fora dele, quando muito iludia o observador tornando-se algo dentro deste, associando-se às formas que já carregava consigo. O vocabulário da imagem é mais extenso que o da palavra, mas nem por isso mais preciso. As cores das fotos, sabe quem entende da grafia da luz, não registram as matizes das coisas, as interpretam. E assim, toda vez que ele “capturava” algo de fora, ele as banhava com suas luzes.
E quem olhasse suas cores veria uma imagem da imagem que imaginava das coisas que via, E criaria uma nova imagem. E criaria novas palavras.

Adorei este texto. Até usei a metáfora das cores para te descrever no meu último post. Acho que quando você morrer, vai se transformar em diversas tintas.:D
olha suvinilllll nillll nilll