Pedro era obcecado.
Seus olhos, ouvidos, pele e narinas interceptavam cada tola repetição eventual de uma vez mais de uma coisa feita por pessoa ou acontecida ao acaso mesmo.
Repetiu-se. Havia então de ser considerado enquanto padrão.
UM gesto, um piscar. Olhos e ouvidos atentos. Os primeiros giram incessantemente à volta, à procura de DOIS gestos, DUAS piscadelas. E voltam e reviram-se como que rolando os dados ao cérebro, num jogo de conexões.
UM latido, a porta que range. A cabeça agita quando é das orelhas que lhe vêm as verdades. Estica-se porém, quando ainda à busca, e ele achará DOIS rangidos, mais um ladrar. Por fim, o pescoço é forçado pela incredulidade satisfeita, doentia, orgasmática do Pedro satisfeito. Ele afasta diametralmente o rosto da evidência dizendo “NÃO!” Que poderia estar acompanhado do perplexo “como é possível?!” ou do canastrão “macacos me mordam!”
NÃO SE DEVE CRER NISTO!
Ele, com isso, diz “sim”! Diz “sim” e põe suas narinas e mãos à serviço do defloramento daquilo que seria a verdade por detrás das pequenas coisas que para ele, cheiravam aos rastros deixados pela substância divina mais pura quando aqui esteve a ordenar o mundo.
Mas no quesito humano destes rastros sacro-ordenatórios, Pedro, não ficaria contente com a simples descoberta. Pedro, era ob-ce-ca-do. Pois, se deus lhe deixou perceber o mundo em suas minúcias mais secretas, era que mais que saber como operavam-se as coisas da terra em sua perfeição, ele haveria de sê-las – em toda a extensão humana da perfeição.
E a perfeição original, estava nos padrões – Nas repetições perfeitas.
Ora, se lhe encontrávamos enamorado da procura, não há obscenidades que descrevam sua absorção e mimese. Acene para o sinal de trânsito como o jovem que segue à frente de Pedro, e como ele veja satisfeito o sinaldos pedestres ficar verde. Siga-o à próxima esquina, pois Pedro já o segue. Satisfeito com a sorte ele o faz de novo, e mais uma vez a sorte lhe sorri.
Bastou.
Retoma seus passos no caminho de origem. O garoto se fora, mas ficara em sua perfeição original. Em um terceiro sinal, Pedro trava um duelo, desta vez solitário, contra o acaso. Sem o jovem virtuoso para tomar a dianteira, ele acena e a faixa de pedestres reflete o verde sinal de sua vitória.
Sua obsessão pode prosseguir. De fato, acaso, destino ou ambos podem ser irônicos.
Prosseguiria ao encontro da mulher que lhe foi destinada. Hannah Eve, uma estrangeira que conheceu na internet. Seus pais eram matemáticos e lhe batizaram com um nome DUPLO palíndromo, cada nome se lia do mesmo jeito de frente para trás e de trás para frente. Ela possuía um irmão gêmeo “Renner Eve” e, Seu telefone era 8642-2468.
Algo estava para lhe acontecer.
(mas não até quinta que vem)
Quem estava comigo aqui: O Fabuloso destino de Amelie Poulain (Filme e trilha sonora)


Se Joseph K de “O processo” tivesse rosto, esse seria pra mim o rosto dele. Não sei pq.
Muito bem elaborada a passagem em que vc descreve como ele vê a divindade nas coisas, a perfeição original, sei lá.
Vc escreveu algo interessante, usou palavras legais de uma forma bonita, mas sinto dizer que isso é apenas TOC. Leva o Pedro a um psiquiatra e acabou a história. =P
Eu hein, fiquei com medo desse cara aí.
Já pensou, buscar padrão em tudo? Não se consegue dar um passo adiante,não se pode viver nada novo se não tiver acontecido algo parecido antes ou se não anunciar umrepetição próxima.
Mas aí, eu fico pensando, não é isso mesmo que fazemos. Temos medo do que não foi experimentamentado e nos sentimos confrtáveis no repetido.
continuaaaa….
nem pergunto quando virá a segunda parte pq posso receber um delicado lembrete sobre a liberdade criativa do artista e o suspense necessário inerente à trama a fim de maximizar a catarse da obra. hdiahdahdahadh